Rachel do Nascimento da Silva
Niterói / RJ

 

O avô de bugigangas

(conto infantil)

           

           Neto observa o seu avô montando e desmontando peças de aparelhos antigos e quebrados.
           Na garagem de sua casa, ele aguarda a atenção e reparos de seu avô. Entre parafusos e porcas, seu avô conversa consigo mesmo.
           Diante de um montão de peças, ele aprecia a hora crucial de montar as peças, uma a uma, num aparelho que parece não funcionar. O conserto parece uma brincadeira legal. O monstro do absurdo, misturado à poeira e óleo, procurados por peças espalhadas.
            Nem se vê a hora passar: sua mãe lhe dá o café da tarde, preparado junto com a avó.
            Neto busca maneiras de agradecer o quanto é grato de passar por esses momentos felizes ali.
            Enquanto encontra espaço, permanece no seu mundinho: velho e criança se entendem, assim dizia o seu avô.
            A cada peça montada, a sua cara é de espanto e felicidade.
            O aparelho antigo nunca visto, com tamanha originalidade para o avô de bugigangas.

 

 

 
 
Poema publicado no livro "Contos de Verão"- Edição Especial - Fevereiro de 2017